Todas as máquinas e equipamentos que uma fábrica de calçados usa, da modelagem à expedição. Escolha o tipo de calçado e veja o que é essencial em cada etapa, o porte do investimento e o nível de automação. Conheça também os polos produtores, a história do setor e as partes de um calçado.
O material escolhido decide o corte, a costura e a montagem. Couro grosso pede balancim de braço e costura pesada; tecido técnico pede laser ou CNC; cada solado tem a sua máquina de produção.
Comparação geral entre os materiais mais usados, de 1 a 3 pontos. Formulações específicas mudam bastante o resultado.
Quase todo couro de calçado no Brasil é bovino e curtido ao cromo, que deixa o material macio e estável. O curtimento vegetal deixa o couro firme e é usado em solas e peças artesanais; o couro sem cromo (wet-white) atende exigências de sustentabilidade.
Os problemas que mais param a produção, com as causas mais prováveis e o primeiro ajuste a fazer. Quando o defeito volta depois do ajuste, chame o mecânico ou a assistência técnica.
Máquina limpa e regulada quebra menos e costura melhor. Uma rotina simples, por frequência:
| Frequência | Costura e preparação | Corte e montagem | Utilidades e injeção |
|---|---|---|---|
| Diária | Remover fiapos e pó do gancho e do transporte; conferir agulha; lubrificar onde o fabricante indica | Limpar mesa e placa de corte; conferir pressão do balancim; limpar pinças da montadeira | Drenar a água do compressor e dos filtros de ar; conferir temperatura de túneis e moldes |
| Semanal | Conferir tensões de linha e altura do calcador; trocar agulhas gastas | Inspecionar navalhas amassadas; afiar facas de chanfradeira e divisora | Limpar filtros da exaustão e do coletor de pó |
| Mensal | Verificar correias, motor e corta-fio | Nivelar ou girar a placa de corte; revisar hidráulica do balancim | Revisar desmoldante, vedações e bicos de injeção |
| Anual | Revisão completa com o mecânico | Revisão das montadeiras e das prensas | Revisão da injetora, calibração dos equipamentos de laboratório e manutenção do compressor |
A pandemia derrubou a produção para 746 milhões de pares em 2020. O setor recuperou boa parte da queda, mas não voltou ao patamar de 2019.
Milhões de pares por ano. 2024 é estimativa da Abicalçados; 2025 é calculado a partir da produção do Ceará (206,8 milhões de pares, 24,4% do total).
As exportações recuaram 15,6% em dólares, pressionadas pelos Estados Unidos e pela Argentina, enquanto as importações cresceram 12,5%, puxadas pelo Vietnã. O saldo da balança do setor caiu mais de 56%.
| País | US$ milhões | Variação |
|---|---|---|
| Estados Unidos | 130,8 | −23,8% |
| Argentina | 74,3 | −52,0% |
| Paraguai | 35,9 | +6,4% |
| Demais da América Latina | — | +11,2% |
| País | US$ milhões | Variação |
|---|---|---|
| Vietnã | 250,7 | +31,1% |
| Indonésia | 109,7 | +1,4% |
| China | 37,5 | +9,5% |
| Estado | Milhões de pares | US$ milhões | Variação em US$ |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | 25,3 | 309,2 | −14,0% |
| Ceará | 19,6 | 108,4 | −23,8% |
| São Paulo | 4,4 | 62,8 | −17,7% |
O Rio Grande do Sul exporta pares mais caros: quase metade da receita com cerca de um terço dos pares.
Os EUA são o principal destino em valor e consomem mais de 2 bilhões de pares por ano, produzindo cerca de 20 milhões. Por isso cada mudança de tarifa pesa nas exportadoras.
Somada à tarifa base, eleva a taxa sobre o calçado brasileiro para 50%.
Exportadores retomam negócios com os EUA.
Adicional pela Seção 301, sem exceção para calçados. A Abicalçados projeta queda de 7,1% nas exportações de 2026.
| Posição | O que entra |
|---|---|
6401 | Calçados impermeáveis de borracha ou plástico, com sola e cabedal unidos sem costura |
6402 | Outros calçados com sola e cabedal de borracha ou plástico, como chinelos e tênis sintéticos |
6403 | Calçados com cabedal de couro |
6404 | Calçados com cabedal de matérias têxteis |
6405 | Outros calçados |
6406 | Partes de calçados: cabedais, palmilhas, saltos, solados |
O Brasil aplica direito antidumping sobre calçados da China desde 2010, o que ajuda a explicar por que Vietnã e Indonésia lideram as importações.
A produção nasceu no Sul e no interior paulista e, desde os anos 1990, ganhou grandes fábricas no Nordeste. Cada polo tem uma vocação: o feminino de couro no Rio Grande do Sul, o masculino em Franca, o infantil em Birigui, o tênis em Nova Serrana e os injetados no Ceará e na Paraíba.
Só Campina Grande (PB) respondeu por 13,1% dos pares produzidos em 2025.
O setor combina poucos gigantes, que produzem centenas de milhares de pares por dia, com milhares de fábricas pequenas e médias. Os dez grupos abaixo estão entre os maiores do país por faturamento e volume.
Ordem aproximada. Empresas de capital aberto publicam receita; as de capital fechado divulgam só estimativas ou volume, então cada linha mostra o número disponível e a base dele.
Corrida, conforto e modelos retrô puxam o consumo. Estas são as marcas com sinais claros de crescimento em 2025 e 2026, nacionais e estrangeiras com presença no Brasil.
O caminho mais comum, do tipo de calçado à primeira venda. A ordem importa: a construção escolhida no passo 1 define quase todas as máquinas dos passos seguintes.
No calçado, terceirizar é comum: há ateliês de pesponto, fornecedores de solado pronto e prestadores de corte em todos os polos.
| Nova | Usada ou reformada | Terceirizar a etapa | |
|---|---|---|---|
| Investimento | Maior, com financiamento disponível | Menor, à vista na maioria dos casos | Nenhum em máquina; custo por par |
| Garantia e suporte | Garantia de fábrica e treinamento | Depende do revendedor; peças podem faltar | Problema do prestador |
| Tecnologia | Servo motor, corta-fio, CNC, menor consumo | Geração anterior, mais manutenção | A do prestador |
| Controle de qualidade e prazo | Total | Total | Menor; exige acompanhamento |
| Faz sentido quando | Produção estável e etapa estratégica | Começo de operação ou máquina de pouco uso | Volume baixo, teste de produto ou pico de demanda |
Boa parte do maquinário de costura, CNC, laser e injeção é importada. O processo tem custo e prazo próprios, mas o ex-tarifário pode zerar o imposto de importação de máquinas sem produção nacional equivalente.
| Posição | Máquinas |
|---|---|
8452 | Máquinas de costura: coluna, plana, braço, programáveis, strobel |
8453 | Máquinas para preparar ou trabalhar couro e para fabricar calçados: balancins, chanfradeiras, divisoras, montadeiras |
8456 | Máquinas que trabalham por laser, jato d'água ou ultrassom |
8477 | Máquinas para borracha e plástico: injetoras de PU, PVC, TR e EVA, prensas de vulcanização |
9024 | Máquinas de ensaio de materiais: dinamômetros, flexômetros, abrasímetros |
A classificação final depende da descrição técnica de cada máquina. Confirme com o despachante; uma NCM errada anula o ex-tarifário.
As linhas mais usadas pelas fábricas, do BNDES aos bancos regionais. Taxas e prazos mudam; confirme sempre com o banco.
Códigos da divisão 15 da CNAE 2.0. Confirme o enquadramento com o seu contador.
| Código | Atividade |
|---|---|
1531-9/01 | Fabricação de calçados de couro |
1531-9/02 | Acabamento de calçados de couro sob contrato |
1532-7/00 | Fabricação de tênis de qualquer material |
1533-5/00 | Fabricação de calçados de material sintético |
1539-4/00 | Fabricação de calçados de outros materiais |
1540-8/00 | Fabricação de partes para calçados |
2864-0/00 | Fabricação de máquinas para vestuário, couro e calçados |
Onde ver máquinas, componentes e coleções. Datas a confirmar no site de cada organizador.
Cada função opera um grupo de máquinas do atlas. Toque para ver quais.
Das oficinas dos imigrantes alemães e italianos às grandes plantas do Nordeste, o setor se formou em ondas: artesanato, mecanização, exportação e migração em busca de custo.
Toda máquina do atlas trabalha uma destas partes. Conhecer os nomes ajuda a entender fichas técnicas e catálogos de fornecedores.
A construção define boa parte das máquinas que a fábrica precisa. Toque em uma para ver as máquinas ligadas a ela.
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